Um paraíso chamado Jericoacoara

Cearense que se preza deveria conhecer Jericoacoara. Quase aos 30 e tardiamente, uma promoção imperdível bateu a nossa porta, em janeiro de 2011, em um site de compras coletivas. E por que não conhecer Jericoacoara em uma pousada cheia de charme e estilo com um desconto de 57%? Sem pestanejar, aliás, alguém pestanejou, mas após algumas taças de vinho deu-se por vencido; nós e mais 03 casais de amigos compramos e, imediatamente efetuamos a reserva para o feriado de Corpus Christi em 23 de junho, ou seja, 05 meses pela frente de espera.

23/06/2011

A vida seguiu e a semana do feriado chegou. Uma rápida pesquisa sobre o que visitar, acesso e indicações de restaurantes renderam um roteiro e muitas expectativas. E na manhã de 23/06/11 as 09:00, partimos. A distância Fortaleza-Jijoca de Jericoacoara totaliza 280 km com acesso pelas BR’s 222 e 402, passando pelas CE’s 085, 422, 354, 402 e 179. De Jijoca até a praia são mais 20 km, ou seja, tínhamos pela frente 300 km de viagem. Seguimos pela rodovia CE-085, chamada de Estruturante. A estrada apresentou boas condições, com poucos buracos, porém com sinalização precária em alguns trechos. O tempo de viagem gasto de carro até Jijoca foi de 03 horas. Ao chegar próximo do município, há uma placa sinalizando Jericoacoara à direita, mas na verdade, trata-se de um grupo de guias interessados em levar seu carro pela areia da praia até a vila. Se você for em carro 4×4, não conhece o caminho e quiser se aventurar pelas dunas talvez seja uma boa opção.  Agora, colocar um veículo comum em meio a dunas sinuosas e trechos cortados por lagoas, não cremos ser boa ideia. Tem também a opção de ônibus pela empresa Fretcar saindo de Fortaleza. Chegando ao Posto São João, nossa opção era deixar o carro em Jijoca, em estacionamento pago (geralmente casas de moradores) e seguirmos até a vila de Jardineira, D-20 ou veículo 4×4. Eis que tivemos a sorte de aparecer em nossas vidas o Seu Jair. Muito prestativo e solicito, não tardou em nos dar explicações sobre o percurso. Fechamos com seu Jair, ida e volta até a praia de Jericoacoara para 08 pessoas, em sua D-20 jardineira por R$ 140,00. O carro ficou estacionado na casa de uma senhorinha por R$ 15,00 durante os 03 dias.  Até Jijoca, são 20 km realizados em 40 min: de Jijoca até o povoado de Corgo I são 05 km de calçamento de pedra, de Corgo I até o povoado de Lagoa Grande são 05 km de estrada de piçarra e de Lagoa Grande até a vila de Jericoacoara são 10 km pelas dunas. Esse trecho final é bastante sinuoso, cheio de elevações e descidas, mas completamente compensado pelo visual.

Eis que chegamos a Pousada e tratamos logo de saber do Seu Jair sobre nosso primeiro pretenso passeio, Lagoas Azul e Paraíso. E para nossa sorte, ele mesmo nos levaria. Já deixamos horário e preço combinados. Ele só nos avisou sobre a possibilidade de chuva, o que não seria interessante para o passeio. Ao adentrar na recepção da pousada, a primeira impressão já foi maravilhosa. Fizemos o check in, porém nossos quartos ainda não estavam prontos. Esperamos um pouco na recepção, mas nada que incomodasse, afinal, nós que tínhamos chegado cedo. O quarto ficou pronto e impressionava pelos detalhes. A Pousada funciona desde 2009. Tem restaurante e 24 acomodações dentre bangalôs e apartamentos construídos com materiais rústicos da região. Conta também com áreas de convivência, palhoças enormes com redes, pufes, tabuleiros de jogos e área pra massagem. Ao chegar ao quarto, tinha uma carta de boas vindas sobre a cama e duas cocadas, já representando a hospitalidade e o sabor local. Deixamos a mala e fomos tratar de almoçar, pois passava das 14:00 horas.

A primeira impressão sobre a vila é de crescimento desordenado e sujeira nas ruas (principalmente fezes de cavalos). Afora isso, há muitos restaurantes de diferentes especialidades e preços, além de barzinhos. Em termos de comércio, a vila é bem servida. Anda-se sobre a areia mesmo, pois não há pavimentação, tudo para preservar a rusticidade da vila. O local escolhido para o primeiro almoço foi o restaurante Espaço Aberto, cuja especialidade é pescados. O cardápio é bem vasto. Fomos de Peixe ao Molho de Mostarda para 02 pessoas por R$ 33,00. Os pratos mais caros serviam camarão ou filet mignon. Ficamos muito satisfeitos com a comida, caseira e muito saborosa. O peixe da casa era o Robalo.

Depois de matar a fome, passamos em um mercadinho, compramos alguns itens pra abastecer o frigobar e nosso estômago durante os passeios, e caímos na piscina da pousada. A piscina é de frente para o mar. Um refrescante banho após o cair da noite. Levando a bebida para a piscina, paga-se apenas a rolha. No restaurante, além de servir refeições, são servidos também drinks. É só comandar no número do quarto. Depois de muito bebemorarmos nossa estada naquele local tão paradisíaco, resolvemos jantar.

Não foi uma escolha fácil, andamos, andamos, cheios de indecisão, cada um queria uma coisa e, ao final, ainda escolhemos um local que não agradou, Pizza Banana. Atendimento deixou a desejar, bem como a pizza.

>> Associação Motorista Camionete Jijoca de Jericoacoara – Motorista Jair (88) 9922 2490.

>> Restaurante Espaço Aberto: Rua Principal, 104 – Tel: (88) 3669-2063

>> Pizza Banana: Rua Principal, 84 Tel: (88) 3669-2282

>> Pousada Vila Kalango: Rua das Dunas, 30. Tel: (88) 3669-2289 / 9961-9364 www.vilakalango.com.br

24/06/2011

Acordamos cedo e para nossa surpresa, havia caído uma chuvinha e o céu estava bastante nublado. Ligamos para o Seu Jair que ficou à espera da provável chuva passar. Tratamos de aproveitar o café da manhã da pousada, que a julgar pelo porte, seria de Rei. Não nos enganamos. Opções de pães, frios, frutas, sucos, o bom e velho café e leite, pão de queijo, bolo, tortinhas salgadas e os feitos sob encomenda, tapioca, waffle (com nuttella ou leite condensado), omelete ou crepe. Mesmo após o tempo gasto na comilança, a ameaça de chuva permanecia. Não nos intimidamos e resolvemos continuar com os planos. Nossa primeira parada foi a Árvore da Preguiça, no Parque Nacional de Jericoacoara. Uma árvore caída em meio a areia da praia e só… Não perdemos a foto, lógico. Continuamos nosso percurso no sentido da Lagoa Azul. Comumente, quadriciclos passavam por nós no mesmo sentido. Há quem faça o percurso neles, a cavalo ou de bugre. O percurso total de ida e volta até a Lagoa Paraíso, a mais distante, totaliza cerca de 40 km ida e volta. Enquanto seu Jair dirigia sobre as dunas, curtíamos alguns drinks na boleia da D-20 com o vento frio a nos açoitar a face. Assim que desembarcamos na Lagoa Azul, caiu uma chuva forte e curta. A água não estava na sua tonalidade mais bonita, um azulado transparente, mas sim esverdeada. Pagamos R$ 2,00/pessoa pela travessia na embarcação pilotada por Sir Jack Sparrow, apelido do barqueiro que nos transportou até o oásis chamado Lagoa Azul. Estrutura com bares bem simples, com mesas, cadeiras, redes e trampolins, tudo dentro d’água. O visual é lindo. Consegui ver alguns peixes nadando com o snorkel. A água, em virtude do tempo chuvoso, estava geladinha. Próxima parada, Lagoa Paraíso.

Particularmente, achei mais bonita que a anterior. Também tem estrutura de bar e restaurante. A água estava na tonalidade verde cristalino. Após muito bate-papo, resolvi fazer um passeio de caiaque. Quase cruzei a lagoa, mas os braços não aguentaram. Muito bom! A lagoa também é muito utilizada por velejadores e praticantes de kitesurf e windsurf.

No percurso de volta, Seu Jair nos indicou o motorista Domingos, proprietário de uma Hilux, para nos levar a Tatajuba no dia seguinte, uma vez que não era possível fazer o percurso de D-20. Pelo passeio até as Lagoas, se não me engano, seu Jair cobrou R$ 150,00 que divididos por oito, saiu cerca de R$20,00/pessoa. Voltamos pra pousada, tiramos um cochilo e fomos jantar no tão comentado Naturalmente, famoso pelos crepes de massa fina, mas cujo cardápio também oferece saladas, sanduíches e massas. O restaurante é rústico, sob uma grande palhoça central, decorado com flores, pranchas de surfe e mangueiras de luzes. O crepe é muito bom, mas não suficiente para alguém com elevado grau de fome. Para acompanhá-lo, um drink de tangerina. Hora de dormir, amanhã tinha mais.

>> Naturalmente: Rua da Praia – s/n, ao lado do Kite Center Jeri.

25/06/2011

O dia raiou e nosso próximo passeio era Tatajuba, localizada a 25 km de Jeri. O percurso acontece sobre dunas quase a beira-mar. A pequena aldeia de pescadores foi encoberta pelas dunas e reerguida na outra margem do rio, batizada de Nova Tatajuba. A lagoa de águas límpidas, as dunas e o mar tranquilo fazem parte de Área de Proteção Ambiental.

A primeira parada foi no mangue formado pelo mar e o pelo Rio Guriú onde alguns barqueiros em pequenas embarcações se encarregam de mostrar para os turistas caranguejos vermelhos e cavalos marinhos. O ideal é fazer o percurso em silêncio para não espantar os animais. Demorou mas vimos alguns cavalos marinhos. O barqueiro tratou logo de pegar um com uma bacia para observarmos melhor. O passeio é um tanto monótono e feito sob o sol escaldante então…

Atravessamos, nós e o carro, o Rio Guriú em balsa sem motor. Chegamos a Praia do Mangue Seco, onde no manguezal há árvores de raízes aparentes e de cores claras como que  desatoladas da areia. É exótico, mas não impressionante.

Uma paradinha na Velha Tatajuba para ouvir as estórias ou histórias de uma contadora local, que não prendeu muito a atenção. No final, quem quiser pode depositar umas moedinhas na caixinha dela. Nossa atenção mesmo foi direcionada para um pássaro muito dócil (periquito) que passeava de mão em mão. A vista das dunas cristalizadas (fixas) também impressiona.

A parada seguinte ocorreu na Duna do Funil. Lá, é possível descer a enorme duna sobre uma prancha (eskibunda). Após a descida, quem não quiser encarar a subida, diga-se de passagem, muito cansativa, pode retornar de quadriciclo. Lógico que eu não perdi a descida de eskibunda e optei por descer a duna em prancha de maior velocidade, o que contribuiu para o meu tombo. Subi duna acima, me apoiando na corda que servia de corrimão. É uma subida e tanto, o que rendeu algumas dores no outro dia.

A última parada ocorreu na Lagoa da Torta, local para tomar banho, fazer passeio de caiaque ou vela pela Lagoa. Há diversas barracas com mesas, cadeiras e redes na água. As barracas servem peixe, camarão e lagosta frescos. Saboreamos um peixe enorme acompanhado de baião-de-dois. Levamos bebida e gelo na bolsa térmica e pudemos beber sem empecilhos na barraca. Experimentamos também ostras de um vendedor ambulante. Em termos de beleza, a Lagoa da Torta perde para as outras, mas, no geral, valeu o passeio. Na volta para Jeri, paramos sobre uma duna enorme, de visual incrível, onde tiramos fotos. O percurso todo é bem cansativo e os assentos do carro também não ajudam.

Ainda não era hora de descansar. Fomos direto à Duna do Pôr-do-Sol. Não dá para perder esse espetáculo da natureza. O Rei escondendo-se, recolhendo-se aos seus aposentos, enquanto as pessoas posam para fotos, procurando o melhor ângulo para fotografar o grande astro.

Para fechar a viagem com chave de ouro, jantar no Restaurante Pimenta Verde. O ambiente é pequeno, mas muito simpático, à luz de velas. Nosso prato foi Filé (de peixe) ao Cognac – R$ 55,50. Para cada prato, que serve duas pessoas, podem ser escolhidos dois acompanhamentos entre purê, batatas sauté, legumes ao vapor, arroz branco ou salada. Muito saboroso. Recomendo!

>> Pimenta Verde: Rua São Francisco Telefone: (88) 9916-0577

>> Motorista Domingos: (88) 9921 9042 – 9615 0108

26/06/2011

Último dia da nossa estada em Jeri. Acordamos por volta de 09:00hs e tratamos de nos despedir de Jeri e da Pousada Vila Kalango, aproveitando o excelente e bem servido café da manhã. Olha, melhor café de todos os locais onde já me hospedei. Curti demais. E após o banquete, era hora de voltar a vida apressada e estressada de Fortaleza. A Pedra Furada, símbolo de Jericoacoara ficou para uma próxima oportunidade.

2 comments

  1. Meus parabéns Angélica pela cobertura perfeita dos eventos da viagem!!! Só vi agora acredita? Fiquei orgulhoso de ter participado e ainda apareci numa foto 🙂 Bjos

  2. Amiga Jeri é tudo de bom!!!
    Fui duas vezes e recomendo demais… dos lugares q vc foi só não conheci Tatajuba, mas pelo visto, o prejuízo não foi tão grande.Vai ficar para uma próxima oportunidade, assim como sua Pedra Furada, q fui e tb recomendo bastante! É lindo apesar da caminhada ser um pouco cansativa, mas, se eu não me engano, pode ser feito de jumentinho!
    Já estou no aguardo da próxima aventura!
    Bjus!!!

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